Ecologias de diversidades:
Interarticulação histórica e de desenvolvimento das formas de mediação humana
Ecologias de diversidades:
Interarticulação histórica e de desenvolvimento das formas de mediação humana
A borboleta asteca, papalotl, simboliza as várias transformações e movimentos espaciais do eu. As borboletas, assim como os humanos, metamorfoseiam-se em novos seres por meio de processos migratórios através do espaço, de ecologias, linguagens, fronteiras nacionais e políticas; processo muito semelhante à teoria e à pesquisa celebrada por ISCAR. Nascemos, habitamos e criamos múltiplos mundos que refletem nossas raízes biológicas, socioculturais, lingüísticas e interpessoais. Somos ao mesmo tempo sujeitos e objetos das ecologias que constituem a nossa existência e as nossas capacidades conscientes como humanos. Como seres humanos, criamos e somos criados pelas nossas instituições sociais e culturais e por tudo o que nos rodeia, representações mundanas do nosso cotidiano de discursos, ações e experiências.
Borboleta Asteca:
ISCAR 2008 é a celebração das nossas raízes culturais e históricas e do potencial para compreender a condição humana, bem como do potencial para mediar os desafios que enfrentamos ao criar condições para uma comunidade global pacífica e próspera. Portanto, escolhemos a borboleta para logotipo do nosso congresso, pois ela simboliza a magnificência e a fragilidade do mundo que buscamos para equilibrar nossas necessidades por respeito, dignidade e harmonia, dentro e através de nossas identidades sociais, culturas, línguas e fronteiras nacionais. ISCAR resiste à ortodoxia e celebra a diversidade de opiniões, o velho e o novo, e o que ainda está por vir. Especialmente, ISCAR cria espaço para teóricos, pesquisadores e profissionais, cujo trabalho tem raiz em tradição ou tradições afins sobre Teoria Cultural, Histórica e de Atividade, para explorar os limites e os potenciais do entendimento humano.
ISCAR cumpre sua missão através da interarticulçãc de questões, métodos e práticas colocadas, utilizadas e desenvolvidas por participantes em ambos os planos teórico e empírico. Teorias moldam o significado do corpus e o corpus exemplifica o significado de teorias em um ciclo dialético constante, o qual leva ao entendimento da prática social e cultural. Em todos os níveis, ISCAR representa diversidades que são interoperacionais, interdependentes e profundamente baseadas em nossas raízes históricas e em nossa habilidade em perceber e agir, construindo e transformando a partir dessas mesmas raízes. Em consonância com essa visão, ISCAR 2008 privilegia 3 áreas temáticas que abarcam esses princípios e suas relações.
Um dos fios condutores de ISCAR 2008 é o nosso entendimento de que as ecologias em que habitamos exigem que representemos e analisemos práticas humanas, bem como seu desenvolvimento e potencial ao longo da vida, cada vez mais através da organização geográfica e regional da atividade cultural afetada pela história e pela inovação. Vivemos em um mundo interconectado onde mídias eletrônicas combinadas a outras formas de mediação criam interconecções e interdependências instantâneas entre populações diversas e formas de saber e fazer, além de formas de identidade. Questionamentos em múltiplos domínios de realidade, língua, cultura, educação, idade, disciplinas, sexualidade, habilidade e consciência humana estão entre o grande leque de áreas empíricas e teóricas evidenciadas por ISCAR 2008.
O segundo fio condutor concentra-se em um dos mais importantes princípios da pesquisa hitórico-cultural e de atividade e de abordagens afins: a noção de que a funcionalidade humana está baseada em ecologias materiais e ambientes que tanto permitem como limitam a atividade humana ao mesmo tempo em que são definidos por ela. Compreender a riqueza de contextos, complexidades, desafios e colaborações que ocorrem nessas ecologias e na própria investigação é necessário ao estudo de cultura e de atividade. Isto é, atenção a como as ecologias e propriedades dos ambientes afetam a atividade humana e a interação requer atenção às análises teóricas e empíricas das práticas particulares, além de construção de significados dentro e através das ecologias do observador e do observado. As teorias, pesquisas e práticas sobre salas de aula, espaços comunitários, práticas culturais e a própria mente humana formam o segundo foco da perspectiva de ISCAR 2008 sobre aprendizado, identidade, habilidade, comunicação, subjetividade e consciência.
Nosso terceiro fio condutor concentra-se na relação dialética entre teoria e método, a qual captura a funcionalidade humana como objeto da teoria, da pesquisa e da prática de ISCAR. Através de ecologias de desenvolvimento, a interação entre teoria e método cria tensões e oportunidades para formular visões alternativas sobre a condição humana. Isso é particularmente verdadeiro quando procuramos capturar como diferenças entre seres humanos e abordagens sobre o entendimento interagem para representar visões e resoluções de dilemas e oportunidades encontradas por seres humanos. Extensões e elaborações de teorias e métodos para estudar a atividade humana geram múltiplas percepções e uso de teoria e método que transpõe esses elementos críticos como um ou outro. ISCAR 2008 procura chamar a atenção para os modos de elaborar, reformular e iluminar a relação da teoria para o método. De fundamental importância é a aplicação da teoria a serviço da diversidade, de novas tecnologias de comunicação e mundos imaginários dentro de mundos sociais de pessoas que vivem em ecologias do século 21.
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